Impressões sobre os Clubes de Leitura após a maratona de aulas

// junho 7th, 2009 // educação

Como disse no post anterior, estou participando como professor das oficinas de formação de mediadores dos Clubes de Leitura do PAIC, projeto do Governo do Estado do Ceará. Entre os dias 2 e 5 de junho foi uma maratona de aulas para quase 200 pessoas, além das aulas que eu já ministro na FAC, que me esgotaram fisicamente e mentalmente. Agora, depois de um dia de descanso, resolvi escrever um post sobre o evento e fazer algumas observações que extrapolam o evento em si.

Internet no interior

Centro de Referência do Professor em Fortaleza

Centro de Referência do Professor em Fortaleza

A internet se mostrou a solução para incentivar a leitura e a produção de conteúdo no interior do estado. É muito complicado chegar livro no interior. Não se encontra uma livraria ou mesmo uma biblioteca pública decente na grande maioria dessas cidades, porém, internet chega em todas elas. E com o uso de internet via rede elétrica a idéia é que isso se expanda ainda mais.

Mas a gente sabe que a internet pode ser um verdadeiro antro de bobagens. E é geralmente por aí que se entra, ouvindo coisas como “caraca, olha só esse vídeo que bizarro” ou “já criou teu perfil no Orkut?” Fazer um uso mais inteligente dela é o primeiro passo, mas ainda não seria o suficiente. Todas as outras mídias são feitas por empresas ou por quem tem dinheiro, e a web é a única que é feita pela gente.

Foi apelando para isso que nós ensinamos criação de blogs, técnicas de pesquisa, podcasts, videocasts, wikis e microblogs para um pessoal que se mostrou sedento para aprender. Era fantástico ver a produção deles após poucos minutos de explicações técnicas. Apenas dando a oportunidade e condições, muita gente se soltou e já tentou criar uma vinhetinha de abertura com o próprio celular para o podcast, criou nomes para “programas de rádio” que estavam nascendo ali, encontrou mais informações com facilidade (até porque a gente sabe que se não está no Google não existe), divulgou informações preciosas sobre experiências com ensino infantil e já foi atrás de saber o que aquele professor com cara de novinho estava falando deles no Twitter.

Ontem mesmo na mesa de bar, ao falar sobre o que eu tinha feito a semana inteira, fui questionado se o pessoal do interior tinha aprendido de verdade. Sinceramente, foram os melhores alunos que já tive. Não acredito que eram assim pelas condições de vida que tem, pois também não acredito que essas condições sejam muito diferentes das de Fortaleza (talvez com menos barulho). Mas eram mais interessados simplesmente por saberem que aprender algo novo é sempre bom. Não é óbvio?

Internet na capital

Dinâmica realizada ao final do curso

Dinâmica realizada ao final do curso

A segunda turma da semana foi composta quase que exclusivamente por mediadores de Fortaleza. E das duas turmas até agora, foi a que mais deu trabalho. Para quem tem a visão do cearense ingênuo e receptivo, em Fortaleza muitos não são assim e se comportam de maneira arrogante inúmeras vezes. Não os culpo, eu mesmo sou assim boa parte do tempo. E diante de um monte de professores de 20 e poucos anos, muitas vezes a reação é: “esse menino não deve ter nada a me ensinar.” Se na faculdade onde dou aula para alunos um pouco mais novos que eu já sofro com isso, imagine para pedagogas e pós-graduadas (desculpem os pouco homens presentes, mas quebrarei a regra do gênero por aqui) com anos de profissão.

Felizmente, essa barreira não demorou tanto assim para ser quebrada. Algumas pessoas não ficaram os dois dias, nem mesmo ficaram dois períodos, e os presentes começaram a ver coisas mais interessantes e se empolgaram mais. Ainda assim tinham uma morosidade maior para iniciarem as atividades, tanto que precisava pedir duas ou três vezes para formarem os grupos de gravação de podcasts, por exemplo. Ainda assim, fizeram um bom trabalho e no final já estavam querendo ser o melhor clube de leitura do estado. Vai ser legal acompanhar essa disputa pelos blogs que serão criados.

Serviços públicos e a boa vontade

Estava tudo indo muito bem no evento, até nós começarmos a bater com a cara na parede da má vontade. As aulas estavam sendo ministradas em um prédio do município: o Centro de Referência do Professor. Em um dos dias, cerca de 11h, o acesso à internet caiu. Cheiro de queimado na sala do servidor, corremos atrás do responsável.

Encontrado o pseudo-responsável, ele dizia não saber qual era o problema, não permitia que nós entrássemos na sala para identificar esse problema e sequer sabia onde a chave da sala estava. Disse também que só um técnico autorizado poderia entrar na sala e ele estava esperando esse técnico chegar. Depois de ligar para “gente grande” do estado, “encontram” a chave.

Já dentro da sala, o mesmo cara não sabia qual era o servidor de acesso, mas sabia que o que estava ligado em um no-break queimado era o de arquivos. Como outro no-break estava disponível, tiramos o cabo de um e ligamos no outro. O servidor liga, mas pede senha. Alguém sabia qual era a senha? Depois de muito bate boca, descobre-se o telefone de alguém que sabe a senha. Uma hora depois, a internet volta a funcionar. Ah, e o técnico chegou às 16:50.

Alguém me explica o que ganha alguém que atrapalha a vida dos outros?

Ainda tem mais, mas não para vocês

Essas foram apenas as duas primeiras turmas das cinco que serão formadas até o final do mês. Por aqui no Netlus vou encerrar esse assunto que já está chato, a não ser que aconteça alguma coisa muito diferente. Então, chega! Próximo assunto…

One Response to “Impressões sobre os Clubes de Leitura após a maratona de aulas”

  1. eva disse:

    agora sou sua fã…Valeu …Adorei o artigo!!!

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